quinta-feira, setembro 11, 2008

Receita de... Chimarrão!

Preciso admitir que sou uma gaúcha desnaturada: esqueci como se faz chimarrão! Há muitos anos não tomava, muito tempo longe da minha terra... Então, escrevi pro Gom pedindo ajuda. Ele me mandou uma mensagem explicando tudo e me salvou da vergonha de ter muitas cuias em casa e não saber preparar mais o mate! Aqui está, então, a mensagem dele na íntegra, para quem quiser experimentar esta bebida tipicamente gaúcha ou para os gaudérios mais esquecidos, como eu.

Receita de chimarrão (do Gom)


"O mate. Atenção aos detalhes!

A quantidade de erva. Enche até o ponto em que a cuia se estreita, antes de abrir a boca.

Inchar a erva. Tampa a cuia com a mão e deita ela para um lado, acomodando a erva em uma metade. Endireita cuia lentamente quando fôres colocar água, para que o morrinho não caia muito. A quantidade de água para inchar é um fator importante. De menos, não incha. Demais, entope a bomba por motivos transcendentais que não posso explicar neste espaço. Quando ponho água fria (Atenção, chimarrão se incha com água fria! Em temperaturas sub zero graus, admite-se uma água morna.), é direto da torneira, um jatinho leve que leva 3 segundos para encher a cuia. Deixa a cuia descansando por uns 5 minutos. O tempo dependerá da erva. Ao final, a água deve ter praticamente desaparecido, ou ficado muito pouquinho no fundo.

Colocando a bomba. Tapa o bocal com o polegar e acomoda a bomba no lado vazio da cuia. Destros deixam o lado direito (bomba em direção ao gaudério) para poder encher a cuia usando a mão direita na térmica.

Servindo a primeira cuia. A temperatura da água É MUITO IMPORTANTE. Mate quente demais não tem gosto de mate. Uma cuia só com água fervendo já "lava" o conteúdo, com se diz. A água deve estar em uma temperatura que em que possa ser tomada confortavelmente. Isto significa que o primeiro mate será frio e forte. Como gaudério é machista, e nada politicamente correto, nunca deixa a prenda tomar o primeiro. Bagual que é bagual, engole o amargo com um sorriso. Há quem cuspa os primeiros goles, mas nunca mais aparece no bolicho de vergonha.

Com faço isso todos os dias, posso estar até meio dormindo. Já percebo se a água esquentou muito no primeiro gole e ponho um pouquinho de água fria na térmica antes de servir a segunda cuia. Não vale aquele ditado que a água pro chimarrão deve apenas chiar. Se já está chiando, já está quente demais. Não esquece que estes ditos são pré era da térmica. A chaleira deixa a água esfriar muito rapidamente.

O treino leva a perfeição, gafanhota. Portanto, mãos à obra!"

5 commentários:

Guilherme disse...

Parabéns, gaúcha!
Que beleza de homenagem à nossa terra natal!
A torta de cereja e a lasanha com certeza vão entrar nas minhas aventuras culinárias!

Beijo

Guilherme

Oliver Pickwick disse...

Que vexame, hein gafanhota? Esquecer um dos maiores símbolos do Rio Grande. É o mesmo que um baiano desconhecer o acarajé.
Já participei de algumas rodadas de chimarrão. Aqui em Salvador, existe uma grande comunidade de gaúchos, ou, baiuchos, como alguns deles costumam dizer.
Esclarecedor e ritualístico este artigo do seu amigo Gom. Contudo, acredito que é necessário paciência de monge shaolin para o preparo desta bebida.
Um beijo!

Oliver Pickwick disse...

P.S.: tem queda para "guilhermes", hein? ;)

ricardodeparis disse...

olha.. achei super dez..este comentario... e realmente a pratica...faz o habito, meu desafio atual...é descobrir o tempo de agua "no ponto" pro chima no micro ondas... é que muitas vezes ferve e agua fervida fica sem oxigenio...e fica amarga,,,saco
parabens ...

Anônimo disse...

Cóé gaudéria blz!!!

Sou o Luiz Alberto amorim, afinzasso de tomar um chimarrão, mas, enrolado:

Fui na cerra gaúcha, provei o chimarrão e gostei tanto q trouxe tudo pro RJ. Pedi os gaúchos pra me ensinarem lá na cerra, mas não deu muito certo aqui no rj não..... rsrs

Deixe eu adiantar que sou deficiente visual, e a explicação q recebi no RS foi 80% ouvida, e 20% prática, claro, envolvendo a tomada...

Bem eu tô achando melhor usar a mão como aparador, que dá pra ter noção da posição da erva na boca da cuia (acho bonito quando a erva pega metade da boca rsrs);
acomodo a erva de modo que metade da cuia, em posição horizontal, esteja com a erva, e a outra metade esteja vazia. Criando uma parede de erva mesmo.
acento a erva na lateral da cuia usando a bomba como firmador. De modo bem delicado.
coloco a água morna quase quente até a cinturinha da cuia.
introduzo a bomba com a parte plana da peneirinha para a direção da erva, tentando afundar o bico da bomba na parede de erva.
solto o dedo do bocal (esqueci de citar esse paço na colocação da bomba).
Pucho o chimarrão...
e só sai erva molhada....

Já vi aí na net que tem q botar um copo de água fria e-ou morna ante da água quente própriamente dita para inchar a erva... como é isso?

na hora de sevar a erva, deve ficar metade da cuia vazia mesmo?
poderia explicar como é o processo de introduzir a bomba? A parte plana da peneirinha vai na direção da parede de erva mesmo, e a parte abaolada vai em direção à cuia mesmo? devo tentar ffincar o bico da bomba na parede de erva mesmo? Notei que a bomba fica firme, é isso mesmo?

por favor, desculpe delongar tanto nesse comentário, mas... é que sem ver direito os outros fazerem é meio brabo....

meu email é:
luizalbertamorim@yahoo.com.br
msn:
luisalbertamorim@hotmail.com

brigadão pela atenção aí!!!

vlw