Dois amigos que gostam de falar sobre receitas e livros de culinária. E que, mesmo morando a 1200 km de distância um do outro, sempre que possível se encontram pessoalmente para cozinhar juntos, bater papo e tomar um espumante...
Recebam Oxum, Afrodite, Lilith, ouçam Tori Amos cantando Lust à luz de velas e incenso, porque hoje é Dia dos Namorados! Não fiquem na cozinha: um salmão grelhado com um pouco de shoyu, arroz branco quentinho com gergelim moído por cima, saquê ou vinho branco, chocolate com morangos, precisa mais? Aproveitem! E inspirem-se:
"Lust"
Hey you gender nectar Sifting through the grain of gold Tripping at your door is that you. Alpha in her blood And when the woman lies You don't believe her Rolling and unrolling Coiling emerging Running free Running through the underworld int your room
Is he real or a ghost-lie She feels she isn't hear And the veil tears and rages till her voices are remembered And his secrets can be told
Hey you gender nectar Crystalline from the vine You know you'll drink her Rolling and unrolling Coiling emerging Funning free running through The afterworld intoyour room So she prays For a prankster and lust In the marriage bed And he waits till she can give And he waits and he waits
Ah, estava eu chegando de mais um passeio noturno de bike (em uma noite estrelada e sem lua), quando encontro em minha porta uma caixa endereçada a mim, vinda do Condado de Deux Chevaux - para quem não sabe, um lugar mitológico, como Avalon (sem as brumas), Atlantis (sem a água) ou Sbørnia (onde se dança o Copérnico, mas esta só os gaúchos sabem onde fica). Mas, voltando a vaca fria, a caixa me foi enviada pelo famoso Oliver Pickwick, morador ilustre desta cidade que, apesar de mitológica, aparentemente tem correio e internet. Dentro da caixa havia uma carta, escrita em computador, e uma fita cassete - contrastes de Mr. Pickwick, cuja idade é um mistério, alguns dizem que é apenas um guri, outros, Matusalém. Eu acho que é um pouco de cada, depende de quem olha. Busquei um gravador no meu sótão, literalmente cheio de aranhas, e ouvi a fita: havia duas músicas. A carta continha lucubrações interessantíssimas, entre elas a descrição de um Ritual de Café, que achei muito apropriado para o Dia dos Namorados de amanhã. Segue trecho da carta de Mr. Pickwick:
"[Este é] um ritual que inventei há certo tempo, com a utilização de uma xícara de café e uma dose de Curaçao Blue. O café pode ser expresso (tenho uma máquina doméstica em casa), ou o café de coador. Neste caso, eu esquento o pó numa panela com bordas baixas, rigorosamente seca. É uma simulação do ato de torrar o café numa fazenda. É preciso cuidado para não queimá-lo. Quando exalar o cheiro típico de café torrado, você pode coá-lo. Em seguida, você vai bebendo aos poucos, até a metade da xícara. Daí em diante, você alterna, um gole de café, outro de Curaçao Blue, tendo o cuidado de que ambos terminem ao mesmo tempo. Dá um toque refrescante aos goles de café. Você pode substituir o licor por outro de sua preferência, mas, se estiver apaixonada, o Curaçao Blue é fundamental por causa da belíssima cor azul-turquesa, um convite ao romance e às coisas do amor.
Como playback time, sugiro uma balada jazística das décadas de 30 ou 40. Estou lhe enviando My Funny Valentine e The Way You Look Tonight. Ambas são perfeitas para este ritual. Além disso, também pode acrescentar conversas sobre Avalon, Myfair, Lilith, Merlin, e histórias celtas de encantamento e magia."
Perfeito! E o que seria de um ritual sem a música? A versão que ele me enviou de "My Funny Valentine" é maravilhosa, cantada por Matt Damon no filme "O talentoso Ripley". Encontrei um clip no youtube desta exata versão, vale a pena dar uma olhada: